Explico...
Meu primeiro pensamento é sempre: eu não "tenho que" nada... Bem, pelo menos deveria ser assim, né?
Quero sempre crer que, ao "travar" neste dilema, isso faz parte da caminhada que estou fazendo... Desde quando mesmo, Karla? Desde sempre...
Todos os dias acordo com fome... fome de viver... e penso que é um desperdício de vida acordar e ter sempre a mesma rotina de movimentos... abrir os olhos, pensar nas atividades, levantar, lavar o rosto, trocar de roupa, tomar café da manhã, pegar o carro, ir até a escola, abrir a sala, dar aulas, fechar a sala, almoçar, voltar à escola, mais aulas, reuniões, voltar pra casa, a hora aquela que eu amo com o mate, pensar na janta, costurar, planejar... isso sem falar no pagar contas, ir ao supermercado ou padaria, organizar as coisas em casa, atender filhos e família...
Opa! Mas espera... tem alguma coisa errada.... como alguém pode acordar com fome de viver se é sempre tão corrido assim?
Bem, se prestou atenção tudo que eu mencionei são meros movimentos... e por isso é tão corrido... mas a vida acontece de verdade entre os movimentos, pelo menos para mim...
Quer ver?
Acordar e ver as minhas gatas deitadas ao redor da cama e pedirem carinho, ter sempre alguns minutos para tocar seus pelos, aceitar o cafuné que elas sempre tem e retribuir o carinho é se encher de vida...
Ir ao quarto dos meus filhos, acordar o que vai comigo para a escola com um beijo, um bom dia e poder "espiar" o outro que dorme é se alimentar de vida...
Chegar na escola e depois de abrir a porta da sala ver os alunos entrarem cheios de novidades, poder entre uma explicação e outra conversar e escutar sobre suas vidas, atividades e rir com as broncas que às vezes tenho que dar em alguns é ser banhada de vida...
Poder sentar em uma mesa, seja em casa ou em algum lugar para comer na companhia dos filhos é alimentar não só o corpo para que ele continue vivendo mas também a alma...
E assim vou me dando conta de que para matar a fome de vida a gente tem que estar no presente...
Tem que estar presente...
Hoje pela manhã, participei de uma prática de meditação num lugar muito significativo para mim, e talvez só por isso eu tenha participado... Quem me conhece sabe que sou avessa a lugares muito movimentados e barulhentos, e quando vi que a meditação seria no Parque do Engenho e não no Parque dos Dick sabia que não poderia perder... aliás um lugar do qual sinto uma grande necessidade de me apropriar, junto com outras pessoas queridas...
Além da proposta muito bacana, pensei que retornar a um lugar que faz parte do meu passado, infância e adolescência, quando ainda era um lugar seguro e de muitas aventuras só me faria bem...
E assim foi...
Durante a explicação do instrutor, fui me distanciando dos problemas, das preocupações, das tristezas, da ansiedade... e aos poucos fui percebendo o quanto o lugar continua bonito... o quanto ainda podemos nos distanciar na poluição sonora da cidade e em comunhão com a natureza desfrutar de momentos de puro deleite de vida...
Tive a oportunidade também de encontrar com amigos que há muito não dava um abraço e me alimentar do calor humano das amizades e carinhos cultivados por tanto tempo...
Então hoje vou terminar minha reflexão com conselhos que levo pra mim mesma e que tem a ver com as "fomes" que temos...
Sente a necessidade estar mais em forma? Coma direto...
Sente a necessidade ter mais prosperidade? Trabalhe em algo que você gosta...
Sente a necessidade de ter uma companhia? Ao encontrar alguém que você goste de ficar junto não a afaste deixando-a partir... diga e demonstre o quanto gosta dela...
Todos merecemos algo mais do que um "meio"... meio em forma... meio próspero... meio acompanhado...
Não tenha medo de abrir mão de desejos que para te satisfazer acabam machucando outros como se não vivêssemos num mundo de interdependência...
Tudo que deve chegar a você, um dia chega...
E quando chegar, por favor se "lambuze"...
Hoje, lambuzada de vida...
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