Amor maior...

Amor maior...

domingo, 23 de abril de 2017

Você tem fome?

Todos os dias, ao acordar, procuro fazer um pequeno checklist do que tenho que fazer no dia que se inicia... e invariavelmente a lista emperra por alguns segundos na questão "tenho que"...
Explico...
Meu primeiro pensamento é sempre: eu não "tenho que" nada... Bem, pelo menos deveria ser assim, né?
Quero sempre crer que, ao "travar" neste dilema, isso faz parte da caminhada que estou fazendo... Desde quando mesmo, Karla? Desde sempre...
Todos os dias acordo com fome... fome de viver... e penso que é um desperdício de vida acordar e ter sempre a mesma rotina de movimentos... abrir os olhos, pensar nas atividades, levantar, lavar o rosto, trocar de roupa, tomar café da manhã, pegar o carro, ir até a escola, abrir a sala, dar aulas, fechar a sala, almoçar, voltar à escola, mais aulas, reuniões, voltar pra casa, a hora aquela que eu amo com o mate, pensar na janta, costurar, planejar... isso sem falar no pagar contas, ir ao supermercado ou padaria, organizar as coisas em casa, atender filhos e família...
Opa! Mas espera... tem alguma coisa errada.... como alguém pode acordar com fome de viver se é sempre tão corrido assim?
Bem, se prestou atenção tudo que eu mencionei são meros movimentos... e por isso é tão corrido... mas a vida acontece de verdade entre os movimentos, pelo menos para mim...
Quer ver?
Acordar e ver as minhas gatas deitadas ao redor da cama e pedirem carinho, ter sempre alguns minutos para tocar seus pelos, aceitar o cafuné que elas sempre tem e retribuir o carinho é se encher de vida...
Ir ao quarto dos meus filhos, acordar o que vai comigo para a escola com um beijo, um bom dia e poder "espiar" o outro que dorme é se alimentar de vida...
Chegar na escola e depois de abrir a porta da sala ver os alunos entrarem cheios de novidades, poder entre uma explicação e outra conversar e escutar sobre suas vidas, atividades e rir com as broncas que às vezes tenho que dar em alguns é ser banhada de vida...
Poder sentar em uma mesa, seja em casa ou em algum lugar para comer na companhia dos filhos é alimentar não só o corpo para que ele continue vivendo mas também a alma...
E assim vou me dando conta de que para matar a fome de vida a gente tem que estar no presente...
Tem que estar presente...
Hoje pela manhã, participei de uma prática de meditação num lugar muito significativo para mim, e talvez só por isso eu tenha participado... Quem me conhece sabe que sou avessa a lugares muito movimentados e barulhentos, e quando vi que a meditação seria no Parque do Engenho e não no Parque dos Dick sabia que não poderia perder... aliás um lugar do qual sinto uma grande necessidade de me apropriar, junto com outras pessoas queridas...
Além da proposta muito bacana, pensei que retornar a um lugar que faz parte do meu passado, infância e adolescência, quando ainda era um lugar seguro e de muitas aventuras só me faria bem...
E assim foi...
Durante a explicação do instrutor, fui me distanciando dos problemas, das preocupações, das tristezas, da ansiedade... e aos poucos fui percebendo o quanto o lugar continua bonito... o quanto ainda podemos nos distanciar na poluição sonora da cidade e em comunhão com a natureza desfrutar de momentos de puro deleite de vida...
Tive a oportunidade também de encontrar com amigos que há muito não dava um abraço e me alimentar do calor humano das amizades e carinhos cultivados por tanto tempo...
Então hoje vou terminar minha reflexão com conselhos que levo pra mim mesma e que tem a ver com as "fomes" que temos...
Sente a necessidade estar mais em forma? Coma direto...
Sente a necessidade ter mais prosperidade?  Trabalhe em algo que você gosta...
Sente a necessidade de ter uma companhia? Ao encontrar alguém que você goste de ficar junto não a afaste deixando-a partir... diga e demonstre o quanto gosta dela...
Todos merecemos algo mais do que um "meio"... meio em forma... meio próspero... meio acompanhado...
Não tenha medo de abrir mão de desejos que para te satisfazer acabam machucando outros como se não vivêssemos num mundo de interdependência...
Tudo que deve chegar a você, um dia chega...
E quando chegar, por favor se "lambuze"...
Hoje, lambuzada de vida...
Na caminhada...



domingo, 16 de abril de 2017

Pela Páscoa... pelos entendimentos e pelo recomeço... sempre...

De que esta caminhada nos leva para mais perto da nossa verdadeira casa, não tenho mais dúvidas... Tamanho o número de experiências que me permiti e vou continuar me permitindo viver... Por todas as amarras das quais me libertei ao longo destes quase 50 anos (nossa!!! ainda bem que faltam 2... risos), amarras que pelo livre-arbítrio escolhi viver e que aos poucos, ao cortá-las, vou me tornando mais livre, mais consciente do por que vim e o que tenho que aprender e evoluir...
O texto que reproduzo a seguir, foi escrito na Páscoa de 2013... um momento de mudanças, de coisas novas na minha vida... E hoje, 4 anos depois, o fato de elas não estarem mais do mesmo jeito me deixa triste sim, mas ainda na certeza de estar evoluindo...

"Páscoa...
Parando para pensar um pouco sobre essa data...
Muitos desde ontem envolvidos com as celebrações e rituais que envolvem a Páscoa...
E me dei conta novamente, de que a Páscoa sempre foi uma das minhas épocas favoritas depois de crescidinha... Quando eu era pequena lembro com doçura desses dias, seja pelo feriadão, pela procura dos ninhos, pela doçura dos chocolates que comíamos até não aguentar mais, lembro até de uma vez em Gramado passar mal... risos...
Porém no fundo, ao chegar na adolescência, comecei a pensar sobre o real significado dentro dos valores nos quais fui criada, e comecei a ficar triste...
Sei que a ressurreição é o maior motivo de alegria entre os cristãos, mas como minha fé vai além da igreja, nem isso me fez ver esse dia com alegria, mas o que mexeu e mexe comigo todos os anos nesta época é tudo que supostamente tem que se passar para ter nosso amor reconhecido, pois foi exatamente isso que Deus fez, ao entregar seu filho como  prova de amor e Jesus ao se entregar como prova deste mesmo amor, por mim e por todos nós...
Mas a Páscoa traz também através de seus símbolos a ideia de renascimento e recomeço, e coincidentemente, há 6 anos, viemos morar neste apartamento... um (re)começo... E então esta data passou a realmente significar isso: vida nova!!!!
Muitos movimentos e fechamentos de ciclos foram feitos desde meados do final de 2012 e muitas mudanças aconteceram...
Novos projetos, novas pessoas, novos amores, novas perspectivas!
Sei que para estarmos abertos para tudo isso é preciso abrir espaços, e abrir espaços às vezes significa abrir mão de coisas que já não nos são mais úteis, não nos servem mais, mas que nem por isso deixam de ser importantes nas nossas vidas!
Sei que somos o resultado de nossas escolhas e experiências e reconheço o valor de todas elas, mas que fiquem na memória e no coração.
Pode não parecer, mas neste momento uma felicidade indescritível toma conta do meu coração e o desejo de fazer coisas diferente e de fazer as mesmas coisas de formas diferentes são realmente importantes...
Em tão pouco tempo, uma pessoa se tornou importante e indispensável na minha vida, e trouxe coisas novas que já fazem parte do meu dia-a-dia, e não quero mais viver sem...
Então acho que a Páscoa é isso, tem o real significado de profunda reflexão sobre o que é o amor, sobre abrir mão da zona de conforto e buscar ser feliz, ajudar os outros a serem felizes...
E realmente espero que todos que amo consigam também refletir sobre esse significado e como cada um realiza a Páscoa em seus corações..."
Última Pascoa da família completa...

Primeira Páscoa do trio...


domingo, 2 de abril de 2017

Se eu tenho medo? Não... sei que temos tempo pra tudo...

Hoje chego a conclusão que uma das melhores coisas que confirmei nos últimos anos é que o tempo é sempre o suficiente pra tudo... Pois sempre, desde pequena, eu suspeitava disso...
Mas aí você vai perguntar: como assim? Quero, preciso, sempre fazer tanta coisa... meus dias não tem horas suficientes para dar conta do que é necessário fazer, coisas a cumprir, amigos a conversar, lugares a conhecer ou revisitar, palavras a dizer, desculpas a pedir, trabalhos a entregar, compromissos a comparecer, amores a viver... ufa!!!
Sim, as agendas parecem estar lotadas... de todo mundo... e ainda temos que ter tempo pra nós mesmos!!! Affeeee... De onde tempo pra tudo?!?!?! Enlouqueceu, Karla?!?!?!?
Não, não enlouqueci... e sim me curei...
Me curei de uma doença que afeta muitas pessoas: a necessidade de ter mais tempo...
Na proposta deste projeto pessoal que é este blog, falei sobre repostar textos já escritos para que eles não se percam na TL do Facebook, que um dia será o Orkut que hoje habita nossas memórias... Então aí vai mais um...
Por que eu escolhi este? Por que hoje?
Por causa do tempo... tempo o qual eu não temo nem nunca temi... mas sempre refleti...
Por quê?
Por que nunca deixei de dizer o que gostaria...
Nunca deixei de viver o que queria, mesmo sozinha...
Nunca tive medo de ser feliz...
Nunca deixei de reconhecer que o tempo é sempre suficiente para o que é essencial...
O resto?
O resto é "encheção de linguiça"...
Se possível leia o meu texto escutando a música "Turn! Turn! Turn!" The Byrds...

"Tempo pra tudo...
Depois de algum tempo sem escrever e dois dias em uma gangorra emocional aqui estou...
Registrar sentimentos, emoções, aflições, amores, reflexões tudo é válido nesse mundo onde os compromissos e responsabilidades controlam tudo, inclusive o tempo...
Que às vezes parece escorrer por entre os dedos...
Quando se quer que ele passe devagar, ele insiste em acelerar...
E quando se quer que ele acelere, se arrasta...
Sempre assim...
Lidar com o novo nem sempre é fácil, e quando esse novo são emoções que nos levam por lugares nunca antes visitados acho que a tarefa se torna hercúlea em determinados momentos...
Então vem a pergunta: tenho força para passar por isso?
Preciso saber se tenho força ou não?
Ou preciso coragem e determinação?
Postei algo sobre isso: nunca diminuir os sonhos e sim aumentar a coragem e as habilidades... e penso que tenho investido muito nisso nos últimos anos...
Sempre fui uma pessoa determinada, porém também soube me guiar por valores que meus pais e antepassados souberam repassar, acho que muitas vezes fui e até sou conservadora nesses aspectos e não me arrependo, tudo que conquistei ou que ainda busco é com o suor do meu trabalho e passar por portas e deixá-las entreabertas não fazem parte deste meu conservadorismo...
Mea culpa...
Depois ajoelho no milho no cantinho da sala, prometo...
Mas acho que é uma das coisas mais difíceis com que eu volta e meia tenho que lidar... e não é de agora... sempre fui assim.
Fechar portas já cruzadas...
Auto-proteção? Acho que sim... mas outros podem pensar que seja imaturidade... aos quais eu respondo: tive que amadurecer muito cedo na base do "é agora ou agora"! O tempo não esteve ao meu favor nestas situações... Hoje vejo e sou grata à Deus por isso...
Hoje acho que o tempo tem sido e sempre foi meu mestre... em especial quando ele diz: RES-PI-RA...
Tem também o fato de que quando se sabe o que se quer, acaba-se compreendendo que tudo é uma questão de tempo...
Tempo para que tudo se acomode...
Tempo para que as pessoas se deem conta...
Tempo para que as pessoas e a gente mesmo aceite...
Tempo para compreender...
Tempo para aprender...
Tempo... tempo... tempo...
Então vem a aflição: não me ligo muito nessas coisas que com o tempo me dei conta de que muitos dos que amo sabem sobre: signos... risos... mas acho que geminianos são de certa forma acelerados, não tem "tempo" para todas essas coisas... afinal somos "dois"... risos... e agora o que fazer????
TEMPO!!!!
Tempo para uma xícara de chá (afinal já passa da meia-noite)...
Tempo para uma música...
Tempo para achar uma leitura que me tire um pouquinho dessa gangorra, que me leve de volta ao equilíbrio...
Mesmo que o melhor lugar do mundo, que é o abraço, tenha se afastado por um tempo (que eu espero que passe logo)...
E agora me dei conta de que o que estou sentindo não é falta de tempo e sim um turbilhão de emoções, que eu não esperava de uma vez só...
Que encanta, que energiza...
Mas que também paralisa um pouco por não saber por onde começar a lidar com tudo ao mesmo tempo...
Emoções que vem de lugares nunca explorados no coração e na alma...
Ou talvez emoção do reconhecimento... do reencontro...
E me dei conta que o dia 18 também se aproxima...
E neste momento eu quero é dormir um pouco, esperando que o tempo deste sono seja de reparação e que leve o que resta do que não me serve mais e não acrescenta deixando apenas o que é saudável e que alimenta a alma...
Boa noite!
Em tempo: feliz por estar usando o primeiro fleece do ano!!!"
(Texto publicado originalmente em 13/04/2013)
Tempo para um mate? Esse sempre tem....