Amor maior...

Amor maior...

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sobre o tempo, perdas, memórias, histórias e o que é real...

Há pouco o WhatsApp acusou uma notificação de mensagem...
Abri...
Ela disse que está tudo bem... Tudo certo... Levando...
Desta vez está sendo muito mais difícil escrever sobre...
E não sei expressar em palavras o por quê...
Há muito tenho para mim que um dos maiores significados das partidas de pessoas queridas é o fechamento real de um ciclo que a gente insiste em não aceitar que fechou...
Em especial às pessoas ligadas ao nosso passado... Avós... Tios... Primos... Pais... Irmãos... Amigos de infância ou adolescência...
É muito difícil sentir no coração essa dor que nos diz: esse tempo não volta mais...
Em especial de pessoas queridas...
E desta vez foi o "tio Querido", sim... Ainda escuto a voz da Tia Nerci, chamando: "ôôô, quirido!"
Ele também era conhecido como "tio Peninha" no grupo de amigos do Bloco dos Palhaços, se não me engano, ou apenas "tio Rubens"...
As lembranças mais nítidas que tenho dele, era sentado em um banquinho no cantinho da pequena cozinha da casa que foi cenário de uma das melhores partes da minha vida na rua Francisco Oscar Karnal... Com um copinho de cerveja ou caipirinha e um cigarrinho na mão...
Lembro dos lindos aquários que construiu, dentro e fora de casa...
Era um homem habilidoso...
Era divertido, e nunca, nunca, deixava de falar o que pensava...
Lembro que às vezes eu não sabia se ele estava xingando a gente por causa de uma travessura ou se estava se divertindo às nossas custas...
Sim, fui abençoada com uma infância que não me deu apenas amigos que tenho até hoje, mas também famílias...
Devo ter uma meia dúzia de famílias, eu acho, e sei que fui "adotada" de coração por todas elas...
E quando Deus anuncia o fim da missão de algum deles por aqui, meu coração aperta...
Mesmo já tendo passado por tantas despedidas, cada uma é especial...
Mesmo acreditando que coisas melhores também acontecem para quem se vai... Ainda sou um pouquinho egoísta...
E passo a analisar o tempo...
O tempo que dedicamos uns aos outros...
Sim, eu sei que não dá pra encontrar todo mundo que se quer, toda hora...
Mas gostaria que desse...
Gostaria de ter mais tempo para dar para as pessoas que eu amo...
Passo também a analisar as memórias, as vezes que nos encontramos com quem amamos...
O que dissemos um ao outro...
Fomos gentis?
Fomos duros? E se fomos, foi por um bom motivo? Foi para o bem? Ser duro com o outro pode ser para o bem? Aiiii... E agora?
Passo a lembrar das histórias...
Do que aconteceu naqueles encontros...
Sobre o que falamos?
E como eu me senti? Como eu fiz o outro se sentir?
Outro dia, numa conversa com alguém que amo, veio a "teoria" de que as únicas coisas reais são o passado e o presente...
Não penso assim...
Acho que na verdade nem tudo do nosso passado é real...
Eu acredito que a única coisa 100% real é o agora, este momento...
Quando ele virar passado, já não é mais tão real assim...
Por quê?
Por que o agora logo se transforma em uma emoção... E esta emoção pode ser boa ou ruim...
Se for boa e eu ficar muito apegado a ela, cada vez que eu lembrar vou adicionar o sentimento que ela me causa... e aos poucos o que era bom, passa a ser ótimo... o ótimo passa a ser maravilhoso... e logo se tornou uma das melhores coisas da minha vida...
Assim também se a emoção não for boa.... para não sofrer vou aos poucos mudando as versões e logo não era mais tão ruim assim... ou no pior dos casos, vou piorando a situação cada vez mais até que eu não suporte mais aquela lembrança...
Sim, as memórias não são 100% confiáveis...
E sinto desapontar, mas penso que nem 100% reais...
Por isso viver no passado não nos faz bem...
O passado nos moldou, mas deve ficar lá...
Devemos aprender com ele, e seguir...
No fim de tudo isso, minhas memórias com o "tio Quirido" são sem dúvida lindas e alegres... não lembro mais de nenhum xingão... lembro dos pedidos para que a Marcelina e eu fossemos até o Super Dresch comprar o cigarro... ou a cervejinha... Sim, naquela época não era pecado ou crime pedir que uma criança fosse ao mercado comprar essas coisas... Lembro das horas sentadas dentro do Corcel na garagem, com o mapa na mão planejando com minha melhor amiga a nossa "viagem", as cidades por onde iriamos passar... Lembro das concentrações do Bloco dos Palhaços no depósito do "Dresch" e das palhaçadas que ele fazia...
E isso é real, pra mim...
Um beijo e um upa bem apertado para a Marzi, a Maninha, a Karina, a Marcela, o Gui e a tia Nerci...
Com amor...
Parte da família...