Ando confusa...
Tem dias que os "barulhos" da vida se misturam e muita coisa parece deixar de fazer sentido...
O que me preocupa é que muitas dessas coisas são importantes... Sei que são...
As mudanças de estação andam afetando a minha vida mais do que eu gostaria...
E talvez seja a idade...
Ou talvez a caminhada...
Do barulho da rua já aprendi a me defender... Nada que mais de 20 anos de sala de aula não te ensine...
Mas do barulho interno, nem os momentos de meditação têm ajudado...
E esses momentos não são poucos...
Penso que talvez esse barulho todo, seja o pedido por mudanças...
Roupas no armário já começam a dar sinais de precisar de renovação, afinal 22kg a menos, mesmo tudo sendo "estica e puxa", desgasta...
Assim como sentimentos...
De tanto a gente esticar e puxar, desgastam...
Talvez seja isso...
Não sei...
Só sei que o barulho está grande...
Nas noites...
Nos amanheceres...
Na melhor hora que se repete todo o dia...
Paro para pensar agora e concluo que...
Não há relacionamento se não há gargalhadas de cumplicidade... Seja nos amores, nas amizades ou no profissional... Afinal, quem gosta de seriedade 100% do tempo?
Não há amor sem parceria... sem reciprocidade... amar sempre vai ser via de mão dupla...
Que não há carinho que resista a falta de interesse...
Que não há história que resista a uma mentira... apenas uma basta...
Um dia disse que o amor não está no outro, mas em nós mesmos...
Todos trazemos ele dentro de nós, mas o outro tem a capacidade de germinar essa semente...
Outro dia vi uma mãe chorando... desabafo por ser tratada de forma desrespeitosa por um filho...
Um filho que ela ama, e tenta ajudar, educar, orientar... nenhum pai ou mãe faz algo querendo errar com os filhos...
Por que então, hoje é tão fácil um filho xingar um pai? Usar de palavrões como se isso fosse a coisa mais natural e normal no mundo?
Sim, tem gente que acha que falar palavrão de vez em quando é libertador...
Mas pra mim também é!!!
É libertador quando bato com o dedinho na quina de um móvel...
É libertador quando chego no estacionamento e vejo a porta do meu carro amassada por alguém descuidado...
É libertador quando o meu time perde um touchdown...
É libertador quando me livro de uma situação que estava me incomodando mandando tudo para aquele lugar...
Mas jamais vai ser quando eu proferir um palavrão a alguém que eu amo, que eu gosto, que eu respeito...
Às vezes a gente continua amando... por um tempo... mas perde o interesse...
E perdendo o interesse a tal sementinha do amor vai murchando...
Se eu acho que amor de pais com seus filhos acaba? Não... creio que não... mas muda...
Amor verdadeiro entre amigos, amantes, acaba? Não... mas muda...
Outra noite num bate papo muito legal com amigos queridos... falávamos sobre as questões de violência...
Por que algumas mulheres, e até alguns homens, se sujeitam a relações que não tem mais reciprocidade, e muitas vezes com agressões, físicas ou psicológicas...
Abro um parenteses aqui: para mim a agressão psicológica é a pior de todas... marca a alma... e se ilude quem acha que a agressão psicológica é só xingamento e diminuição do valor do outro... Torturar alguém psicologicamente, tem a ver com manter o outro preso a uma situação onde não existe mais nada, mas faz o outro acreditar que tem... e num jogo perverso de esquenta esfria, acaba com a auto-estima, a segurança, a confiança do outro...
Na tal "discussão" coloquei meu ponto de vista sobre isso: muitas vezes as pessoas se sujeitam por que é só isso que conhecem... só conhecem o sofrimento, o desprezo por suas vontades, seus desejos, as traições e as mentiras contadas quase que diariamente... e a pessoa acaba vivendo a vida que o outro cria para ela... e acha isso "normal"... por que com isso ela consegue lidar... afinal é o "conhecido"... e com isso não consegue se libertar...
Por que até mesmo o sofrimento pode se tornar uma coisa "boa" quando é só o que conhecemos...
A mentira se torna uma coisa "boa", pois se passa a acreditar nela...
Até o triste jogo da sedução e do afastamento se torna "divertido" quando a gente ganha umas migalhas, se de migalhas a gente sempre viveu...
E se tem mentira...
E se tem filhos no meio...
E o que se viveu é só o que se tem...
Aí já viu...
Putz...
Tá vendo...
O barulho tá muito alto aqui...
Por que hoje de manhã, este estava na cabeceira da cama...
Por que ela me faz pensar...