Amor maior...

Amor maior...

sábado, 12 de agosto de 2017

Sobre as ausência que se tornam presenças...

Mesmo sendo uma mãe coruja...
Orgulhosa dos rebentos...
Esforçada para suprir faltas e carências...
O dia das mães nunca vai ser tão significativo para mim como é o dia dos pais...
Sim, eu sei... talvez por que eu seja mulher...
E meu pai foi o meu primeiro amor...
Aquele que nunca magoou ou decepcionou...
Tivemos nossos momentos DR... com TODA a certeza...
Tive meus dias que desejasse ele beeeem longe...
Em especial na adolescência, onde o ciúmes dele bateu forte e me proibiu de fazer muitas coisas que um coração e corpo de adolescente mais desejava fazer...
Ele partiu cedo...
Mas deixou grandes marcas...
Não só no meu coração, na minha vida, na minha consciência, na minha alma...
Pelo pai, horas demasiadamente zeloso...
Pelo cidadão, sempre preocupado e engajado de forma, na maioria das vezes, anônima...
Pelo filho que ele era para minha avó, sempre presente cedinho na manhã para o mate antes de ir para o trabalho, depois de ter nos largado na escola...
Pelo marido que ele foi para minha mãe, idealizando em mim o desejo de um amor assim na minha vida... de parceria... de reciprocidade... de admiração pela parceira de uma vida...
Pelos longos papos silenciosos que sempre tivemos na companhia de uma cuia no fim de tarde de 6as. no jardim da casa que ele construiu com tanto amor para nossa família, quando ele chegava do trabalho e depois eu de Porto...
Pela dedicação aos clubes da sua vida... CJ, Cursilhos na Igreja, CTC, Cascata... entre outros que participou e foi um líder...
Por me fazer sentir, mesmo tendo praticamente a mesma idade que ele tinha ao partir, como uma criança... uma menina que ainda precisa de um colo... um conselho de pai.. não de amigo... mas de pai... de pai amoroso, preocupado e zeloso...
Por que queria que tu tivesse entrado comigo na igreja no dia do meu casamento...
Por que queria que tu brincasse de cavalinho com os meus filhos como tu fazia comigo...
Por que queria teu abraço no dia que o pai dos meninos se foi...
Por que queria o teu apoio no momento de pensar em uma nova relação...
Por que queria teus conselhos na hora de dar um novo rumo na minha vida...
Por isso, faz falta...
Por isso tua ausência é tão presente...
Por isso te amo...
Sempre vou te amar... até te reencontrar...
Que seja em breve... Que seja um momento de plena felicidade...

Por todos os beijos teus que ainda queria receber...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O jardim da Vó Erica...

Faz quase 11 anos que retornei à Lajeado...
Muita coisa mudou... muita mesmo...
Confesso que tenho dúvidas se foram mais coisas boas ou ruins...
Talvez entre as boas posso falar da Universidade que agora temos, o que poderia ter feito com que meu pai não me deixasse ir para Porto Alegre estudar...
ihhh...naquela época então seria ruim... hahhaha
Temos talvez algumas poucas oportunidades a mais de entretenimento...
De resto... neste momento, talvez pela emoção do que vai no coração, fica difícil falar sobre coisas que estão melhores do que há 10... 20 anos atrás...
Mas hoje em especial, ao ir banco no centro da cidade que foi o "pátio" da minha casa durante toda a minha infância... de pés descalços pela Julio de Castilhos, pela Francisco Oscar Karnal, pela Bento Gonçalves e arredores... tive que parar por alguns minutos na calçada...
E vi... um dos jardins que mais adorava na minha infância...
O jardim da vó Erica...
Ele era também do vô Plinio, mas com ele pouco convivi, então vai sempre ser a casa da vó Erica e seu lindo e encantado jardim...
Hoje, percebi que a casa não está mais alí... não sei dizer ao certo se já tinha visto... mas a verdade é que meu coração não havia registrado a sua ausência...
Talvez por que a família querida tenha resolvido manter o jardim intacto... sim, creio que faltam algumas árvores, por que na minha infância era uma "selva"... com muitas árvores para subir...
Ao lado da casa da vó Erica, ficava a casa da vó Flávia... outro lindo lugar que habita as minhas memórias de "patusca" pelo centro... a biblioteca do vô Mário...
Por alguns momentos tive que ficar ali, parada em frente ao jardim... com seus pequenos cataventos girando... colorindo a minha memória de criança...
Não sou de visitar o passado para quase nada... entendo a sua profunda importância, mas não gosto de viver lá... mas uma visitinha assim, de vez em quando faz um bem danado...
Ainda mais num período de mudanças...
De possibilidades...
Mas também de muita reflexão...
Poder retornar a um momento onde me sentia segura e acolhida por uma família tão grande que formamos através das amizades dos meus pais...
Hoje meu coração está cheio de amor... e através dos meus olhos, minha alma se encheu de paz...
Subir e descer esta entrada... sentar no muro e com o tempo ser capaz de pular dele...
Fui muito feliz aqui também...


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Tem gente...

Depois dos acontecimentos desta semana, e até por tudo que tem se vivido nos últimos anos, tive que dar a mão à palmatória e concordar com o que já me diziam na infância...
Não, não fique chocado... eu era uma criança e ninguém sentava na minha frente e dizia: olha Karla, as coisas são assim:...
Não, as pessoas me diziam por suas atitudes, pelos seus gestos, pelas palavras... e outras tantas vezes pela falta de qualquer uma destas... falta de atitudes, falta de gestos, falta de palavras...
Definitivamente estamos vivendo uma crise, acima de tudo moral e de valores...
O que vemos fora de nossas casas é exatamente o que ocorre na maioria das casas mundo à fora...
Há algum tempo venho buscando a verdade, oro todos os dias para que qualquer véu de ilusão seja retirado dos meus olhos...
E vou dizer, as pessoas, e nisso me incluo muitas vezes, não querem saber a verdade por que ela acaba com qualquer ilusão...
E a ilusão alimenta o nosso pior inimigo, o Ego...
Mas tem uma coisa maravilhosa que é quando a gente entende que a verdade é a unica coisa libertadora...
Quando sabemos a verdade, que nua e crua pode ser devastadoramente dolorida, nada mais nos prende...
A verdade é o que é... assim como certo e errado para determinadas coisas, valores...
Nada que é certo deixa de ser só por que você não o faz... Assim como se você fizer o errado ele não passa a ser certo...
Hoje muitos de nós estão preocupados com a crise mundial, a crise nacional, a crise estadual e em alguns casos até a municipal... Mas se esquecem de se preocupar com a crise pessoal...
Nada, nada do que está lá fora não deixa de ser um reflexo do que temos dentro...
Olhe ao seu redor...
Tá complicado, tá difícil? O que você está fazendo para mudar? Para resolver? Nada?
Sei que só posso falar sobre mim mesma... mas às vezes penso que se a gente puder compartilhar nossas percepções podemos nos ajudar... e é isso que está faltando...
Ajudar... Sabe por que?
Por que estamos todos em níveis diferentes da caminhada... E podemos sim, aprender observando, aceitando ajuda... as crianças aprendem assim, não é à toa que nosso maior "bum" de desenvolvimento se dá exatamente na idade da imitação....
Mas isso requer uma boa dose de humildade...
Acolher o que o outro está querendo mostrar é um baita exercício de humildade... e quem vem nos socorrer nessa hora? Nosso pior inimigo... sim, ele, o Ego...e aí já viu, né?
Mas falar para o outro o que se vê também não é uma coisa fácil... por isso a verdade é algo tão importante...
Mentir, ocultar, omitir é para mim um crime capital... estou tirando do outro o direito de saber e escolher o que ele considerar  o melhor pra ele...
E se a gente não é capaz de falar isso nas nossas famílias, nas nossas relações, amizades, amores, trabalho, como podemos cobrar isso dos governantes?
Tudo se resume a nós mesmos... sempre disse para os meus filhos e assim vai ser até o meu último dia...
Quer que a fome cesse em outro canto do mundo? Mate a fome de quem está ao teu lado...
Quer a paz no mundo? Seja a paz onde você mora...
É assim... e só assim que o bem e o amor se propagam...
Eu já errei muito, e sei que ainda vou errar mais um tanto, ninguém vem pronto pra cá...
Mas estou aprendendo...
Fui omissa... por medo, por insegurança, por imaturidade, por comodidade, por achar que o amor era isso também... calar...
Hoje não quero mais isso pra mim, nem para os que eu amo e respeito...
Se eu achar que devo falar algo que seja verdade e para contribuir eu vou falar, com carinho, com amor, com cuidado...
Se eu achar que devo fazer algo para ajudar eu vou fazer, para não machucar, para colaborar, para crescer junto...
Por isso, quando vejo algo que está errado não posso deixar passar, eu falo... se a pessoa entender, que bom, e se não entender, faz parte da caminhada dela...
Assim são as relações, assim é o amor...
Nunca vou me culpar por gostar, por querer bem, por desejar o bem, por amar, por respeitar...
Assim é a vida...
Mas afinal, se chegou até aqui está curioso para saber o que as pessoas me diziam na infância...
Elas me diziam e mostravam que quando você dá o seu melhor e mesmo assim não é o suficiente, está na hora de partir...
Por que tem gente pra tudo...
Se tem gente para ser amada, ser respeitada, ser acolhida, gente que vale o investimento do seu tempo, seus sentimentos...
Também tem gente que não vale a tristeza, a mágoa, a indiferença, não vale sentimento nenhum...
Olhe ao seu redor...
Comece por quem está perto e veja que o que está lá longe vai fazer todo o sentindo...
Tenho certeza que você vai reconhecer...
Por que todos os dias tem gente na minha vida... mas estas são as mais importantes...
Aprendo, tento ensinar, faço o melhor que posso...