Ao abrir a janela, porém, o cenário foi outro... o tempo não está tão "limpo" lá fora, seja lá o que a previsão entende por isso... então fui procurar sobre o "estar limpo"... e caí aonde? No meu coração...
Revisitei a minha caminhada desde o fim de semana passado e retomei a reflexão do passeio que fiz pela colônia no domingo...
Pensei sobre o que se espera... e se o que se espera se torna uma expectativa... e até que ponto a expectativa é boa e quando ela se torna uma tortura que nós mesmos nos impomos...
Lembrei de uma breve conversa com alguns participantes e pude pensar sobre as diferentes expectativas que criamos...
Lembrei das expectativas que criei sobre a minha vida, desde os bancos do clube aos sábados de tarde...
Das expectativas nos relacionamentos que tive...
Das expectativas na profissão que escolhi depois de tanto mudar de ideia...
Das expectativas das tantas mudanças que minha vida passou...
Das expectativas nas tantas amizades que cultivo com tanto amor e atenção...
Das expectativas que ainda permito ao meu coração ter...
Das expectativas que as minhas habilidades, que a minha sensibilidade, que a minha entrega a essa caminhada nesta passagem criam e aonde elas me levaram e ainda levarão...
Das expectativas que o amor e o bem querer... o desejo da entrega e do receber o amor na mesma intensidade...
Das expectativas de um bom dia dado, um oi correspondido, um sorriso e um olhar de cumplicidade recíproco...
Das expectativas que a confiança no outro, a entrega do que se tem de melhor geram...
Da expectativa na reciprocidade...
E para não me perder em sentimentos, que podem ou não me fazer feliz ou triste, passo a olhar mais para fora do que pra dentro, pois o dentro ainda dói...
Me dou um puxão de orelha beeeem forte, penso que a caminhada vale muito mais do que o destino, pois o destino é o certo, todos vamos chegar lá, mas o inusitado é o caminho...
Por isso resolvi deixar de ser caminhante para ser uma peregrina...
O peregrino é aquele que escolhe os caminhos mais longos, com mais curvas, com mais voltas, com mais flores, com mais cores, com muito, muito mais amor...
O peregrino empreende o percurso com fé, com amor...
Para o peregrino não importa se o tempo está "limpo" ou não...
Para o peregrino não importa se para poder tomar o café da manhã havia uma longa fila de espera...
Para o peregrino o que importa é caminhar leve, sem bagagens pesadas...
Para o peregrino o que importa é a beleza do caminho e não os quilômetros percorridos...
O peregrino, por que tem fé, sabe que nem tudo vai ser alegria na sua jornada, mas sabe que ela tem um propósito e sabe que vai chegar, por isso não mede o tempo, mas usa seu tempo para dar bom dia, para dar um oi, para perguntar aos demais caminhantes ou peregrinos, assim como ele, como estão...
O peregrino usa seu tempo para ouvir histórias de vida... e ao escutá-las, revive-as junto com quem as conta... Se emociona, ri e chora junto...
O peregrino sempre tem tempo para quem precisa de um tempo...
No último passeio, reafirmei que a melhor forma de superar uma longa e íngreme subida é não olhar para cima tentando ver aonde termina, mas sim colocar um pé na frente do outro e no seu próprio ritmo vencê-la passo a passo...
A melhor forma de deixar de ter expectativas, seja ela em relação a um projeto, a uma amizade, a um encontro, a um amor, a um bom dia, sorriso ou olhar dados,
a superação de uma dor ou tristeza, é viver um dia de cada vez, sem esperar nada dele... Mas sim abraçar cada um deles, cada dia, cada amor, cada tristeza, cada dor, cada alegria e cada bom dia respondido, cada oi trocado, cada sorriso recebido de volta...
Difícil, muuuito difícil... Pra você, eu sei, e pra mim também...
Então, vamos juntos? E assim cuidamos um do outro, lembrando-nos que reciprocidade e expectativa não são a mesma coisa, ok?
Por que a gente nunca sabe dos resultados das nossas ações, mas sem elas resultados não existem, mesmo que a ação seja não fazer nada...
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| Hoje apenas espero que meu filho se divirta... |




