Assim como "O Impossível" é o título do filme que talvez tenha iniciado esse turbilhão...
Não que eu precise de um filme para isso, ou que minha vida não seja cheia de turbilhões... Até por que não sei viver sem um turbilhão de sentimentos habitando meu coração... O bom que é a maioria destes sentimentos são bons...
Revendo o filme no sábado com os alunos, eu já na 4ª ou 5ª vez, pois gosto tanto dele, pude observar os alunos, suas reações e iniciar uma reflexão sobre o mundo que vivemos...
O que mudou neste mundo? O mundo que vivi e o que vivo hoje não são mais o mesmo, com certeza...
Mas será que mesmo estando aqui, no mesmo tempo e espaço, vivemos eu e você no mesmo mundo?
As vezes me dói muito ver que não...
Gostaria que estivéssemos no mesmo mundo, no meu mundo... Por que te amo...
Mas talvez você gostaria que eu estivesse no seu, por que acha que o seu seria melhor...
E então estaríamos num impasse...
Hoje foi um dia intenso... Retornei ao apartamento da minha avó, depois de alguns meses sem ir lá, pois ela hoje mora com a minha mãe... Não voltei mais, por que ver o apartamento virado em um depósito dói... Um dos lugares mais especiais da minha vida... Um mundo à parte... Um mundo de amor... Onde levei meus amores... Mostrei a cada um deles cada cantinho das minhas memórias ali vividas... hora em histórias contadas, hora em fotos retiradas de dentro de caixas de sapatos... espero que cada um deles se lembre disso, onde estiverem...
Porém ao escutar o desabafo de tristeza da minha avó, não pude conter a tristeza ao vê-la assim... E a entendo, e quero que ela fale mais... quero que ela chore algumas vezes, pois ficar com essa tristeza presa no coração não pode lhe fazer bem... A cada coisa que olhávamos e que eu dizia que levaria pra casa ela dizia que queria que eu me lembrasse dela...
E como se transforma essa tristeza em alegria? Quando se responde: vó, não preciso de uns tapetes de retalhos ou de umas travessas para me lembrar de ti... nunca vou te esquecer! E começamos a rir... simples assim!
Fui agora lá fora olhar as estrelas... o céu tem andado lindo à noite ultimamente... nunca vi tantas estrelas... e lembrei de um diálogo do filme de ontem entre um menino e uma senhora... que é mais ou menos assim:
- Quantos anos você tem?
- Quase 74, e você?
- 7 e meio...
- Você gosta de observar as estrelas, não?
- Sim, em casa eu as reconheço... mas aqui o céu é diferente...
- Muitas daquelas estrelas já não existem mais há muito tempo...
- Elas estão mortas, né?
- ... elas estão mortas... mas um dia elas eram tão brilhantes que a sua luz ainda viaja pelo espaço que conseguimos vê-las...
- Como sabemos diferenciar as que estão vivas das que não estão?
- Ah... não podemos...é impossível...
E eis que então, olho para as pessoas... para todos nós... vivendo em mundos diferentes... com olhares diferentes... com sentimentos diferentes... e quantos sentimentos não correspondidos... quanta indiferença... quanta falta de amor...
Como nos diferenciamos entre "vivos ou mortos"?
O que você tem dentro de você ainda está vivo ou já morreu há muito tempo e é apenas "resquício" do que um dia já foi? E esse resquício é bonito? É brilhante? Será capaz de "viajar" no espaço para que os outros se lembrem de você? O que você está fazendo para que esse brilho perdure?
E os seus sentimentos? Aquele amor que você disse que era "eterno" ainda está aí ou já existe outro no lugar dele?
Quantas vezes você disse a alguém que o amaria para sempre?
Quantas vezes você disse que seriam amigos para sempre?
Que estaria sempre por perto?
Aquele brilho no seu olhar ao encontrar um amigo querido... alguém que você gosta, admira?
O coração que acelera ao escutar a voz de alguém querido?
Ainda está aí?
E você, ainda está aí?
Se está, quer saber como termina o diálogo?
- É um bonito mistério, não?
Sim... a vida é um bonito mistério...
Por isso se tentarmos desvendá-lo, perderá a sua beleza...
E aí?
No meu mundo ou no seu?
Ainda espero... Pois continuo viva...
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| No meu mundo tem um céu de estrelas e uma lua linda... |

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